
O 17E50, primeiro superarticulado de 23 metros destinado à categoria expresso de Curitiba e Região Metropolitana, foi registrado em uma garagem na capital paranaense após chegar de Caxias do Sul (RS), sede da Marcopolo — onde já havíamos obtido fotos e vídeos do veículo ainda em produção.
A novidade, porém, levanta uma questão operacional relevante: o que muda na linha C01 – Pinhais / Rui Barbosa com a substituição dos tradicionais biarticulados de 28 metros por esses novos superarticulados?
As reduções em relação aos biarticulados
A diferença entre os dois modelos é significativa:
- Comprimento: de 28 metros para 23 metros;
- Portas à direita: de 5 para 3.
Trata-se de uma redução considerável tanto em capacidade de carga quanto em agilidade de embarque e desembarque. É evidente que a operação da linha não poderá ser mantida exatamente como é hoje — algum ajuste será necessário, especialmente nos horários de pico.
Quais são as possibilidades?
Algumas alternativas se apresentam para compensar a menor capacidade unitária dos novos veículos.
1. Redução dos intervalos entre os ônibus
Atualmente, o menor intervalo entre saídas da C01 a partir do Terminal de Pinhais no pico da manhã é de 4 minutos. Com a frota de superarticulados, provavelmente seria tecnicamente viável reduzir esse intervalo para 2 ou 3 minutos, aumentando a quantidade de veículos em operação sem necessariamente gerar grandes comboios, desde que a operação seja bem coordenada.
2. Manutenção parcial dos biarticulados como reforço
Outra possibilidade é que parte dos biarticulados de 28 metros permaneça em operação nos horários de maior demanda, funcionando como reforço enquanto os superarticulados assumem a operação regular.
3. Reforços convencionais em trecho específico
Há ainda a opção de ampliar os horários de reforço com ônibus convencionais, ao menos entre o Terminal de Pinhais e o Terminal Capão da Imbuia. O desafio, nesse caso, permanece no trecho entre o Capão da Imbuia e o Centro, que exige veículos de maior capacidade e com portas em nível devido à elevada demanda de passageiros.
O problema das três portas
Além da redução de capacidade total, a diminuição de cinco para três portas traz um impacto operacional importante: em um ônibus lotado, os passageiros tendem a evitar se deslocar para longe das portas do veículo quando não têm certeza de que conseguirão desembarcar com facilidade.
O resultado prático é a formação de espaços ociosos no interior do ônibus, enquanto a região próxima às portas permanece congestionada — um problema já conhecido em linhas de alta demanda e que pode reduzir a capacidade efetivamente utilizada do veículo.
O que esperar?
Por enquanto, ainda não há definição pública sobre como a operação da C01 será adaptada. O mais prudente é aguardar a chegada da frota completa de superarticulados e observar tanto a quantidade de unidades disponíveis quanto as decisões da AMPE e da operadora em relação à escala de operação e aos eventuais reforços.
Nos horários de pico, alguma medida será inevitável. A questão é qual — ou quais — serão adotadas.
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