
Hoje, 1º de julho de 2026, foram entregues os dois primeiros superarticulados de 23 metros para a Região Metropolitana de Curitiba.
A entrega veio acompanhada de declarações confusas, que não deixaram claras algumas novidades negativas trazidas por esses veículos. Vamos explicar aqui.
O que foi anunciado
Além dos dois superarticulados já entregues (17E50 e 17E51), serão ao todo 19 superarticulados de 23 metros para a linha metropolitana C01 – Pinhais/Rui Barbosa. Essa linha opera na canaleta do Eixo Leste, saindo do Terminal Pinhais (Região Metropolitana), passando pelo Terminal Capão da Imbuia, pela Rodoferroviária e chegando à Praça Rui Barbosa, em Curitiba.
Os novos superarticulados de 23 metros têm capacidade para 194 passageiros e possuem apenas uma “sanfona“. Já os 17 biarticulados de 28 metros, com 2 “sanfonas” que atualmente operam na linha comportam 250 passageiros — uma redução relevante de capacidade por veículo.
Comparativo entre a frota atual e a nova frota
| Característica | Frota atual (Biarticulados) | Frota nova (Superarticulados) |
|---|---|---|
| Comprimento | 28 metros | 23 metros |
| Início de operação | Junho de 2012 (maior parte da frota, ~14 anos de uso) | Julho de 2026 (chegada dos 2 primeiros veículos) |
| Portas de embarque/desembarque em nível e com rampas (direita) | 5 | 3 |
| Portas embarque/desembarque em nível e com rampas (esquerda) | — | 3 (possível uso em linhas “ligeirinho”) |
| Portas de emergência com escadas | 2 (à esquerda) | 2 (à direita) |
| Motorização | Euro III | Euro VI |
| Ar-condicionado | Não | Sim |
| Bancos | Semiestofados | Semiestofados |
| Tomadas USB | Não | Sim |
Por que ônibus menores?
O mercado nacional não oferece mais biarticulados de 28 metros a diesel — apenas modelos elétricos, que devem ser adotados futuramente em Curitiba. Antecipar essa transição para elétricos hoje seria precipitado, já que a infraestrutura de carregamento para veículos desse porte e nessa quantidade ainda não existe na cidade e na região metropolitana.
Atualmente, o maior ônibus a diesel disponível no mercado tem 23 metros. Esse veículo é o superarticulado com 23 metros. Dentro dessa limitação, a escolha feita foi, de fato, a melhor possível.
Pontos positivos
A renovação da frota é, em si, positiva. Os novos veículos trazem itens de conforto tanto para operadores quanto para usuários, além de motorização mais moderna e menos poluente (Euro VI).
Pontos de atenção
Alguns aspectos, porém, merecem uma análise mais crítica:
- Menor capacidade por veículo: a redução de 250 para 194 passageiros por ônibus é significativa.
- Menos portas de embarque/desembarque: a linha C01 passa de 5 para 3 portas úteis por veículo, o que tende a aumentar o tempo de parada nos terminais e estações-tubo.
- Portas sem utilidade imediata: as 3 portas do lado esquerdo, a princípio, não terão uso na linha C01, já que servem para uma eventual operação em linhas do tipo “ligeirinho”.
- Possível necessidade de mais veículos nos horários de pico: atualmente operam 14 biarticulados nos picos. Com a nova frota, esse número provavelmente precisará aumentar para manter a mesma capacidade de transporte.
- Frota antiga pode continuar em uso: como já mencionado aqui no canal, parte dos biarticulados atuais não será desativada de imediato e deve continuar operando como reforço. Vamos acompanhar os próximos capítulos dessa história.
Conclusão
A troca dos veículos antigos por novos, com tecnologia de motor mais moderna e mais itens de conforto, é uma melhoria real. No entanto, é preciso reconhecer que, sem ajustes complementares, a mudança pode representar uma piora na experiência do usuário — principalmente pela redução do número de portas de embarque/desembarque e pelo risco de maior lotação em alguns ou todos os horários, caso a programação não seja redimensionada para veículos menores.
O Ligeirinho Mobilidade vai continuar acompanhando os próximos passos, o início da operação dos novos veículos e como a AMEP pretende resolver os pontos de possível piora apontados com a chegada da nova frota.


